Angra dos Reis, um ano
depois das chuvas que a colocaram nos noticiários incessantemente
(pelo menos até o terremoto do Haiti se tornar mais interessante
para os abutres), recebeu o show do cantor Michael Sullivan para
comemorar seu aniversário de 509 anos.
Quem é Michael
Sullivan? Ouvi muito esta pergunta, e talvez eu tenha sido um dos
poucos presentes no Cais de Santa Luzia na noite do dia 5 de
janeiro que sabia responder a esta pergunta.
Digo isso
pois, antes do show, o Dj-músico-jornalista Hugo Oliveira tocava
canções brasileiras mais dos anos 1970-80 e muitos jovens se
afastavam. Eu cantarolei com alegria "Meu limão, meu limoeiro, meu
pé de jacarandá, uma vez esquindolelê, outra vez esquindolalá"
junto com Wilson Simonal, e uma garota olhou para mim como se eu
fosse um e.t.! Talvez você esteja pensando a mesma coisa de mim
agora, fazer o quê......
Mas
quando o gordinho Michael Sullivan subiu ao palco e começou a
desfilar seus clássicos, o pessoal chegou junto e lotou o cais.
Porque é simplesmente impossível, mesmo que você não saiba quem
diabos é Michael Sullivan, que você não conheça pelo menos uma
música do sujeito!
O
cara fez canções para Rosana, Joana, Roberto Carlos, Roupa Nova,
Xuxa (ei! sem preconceito, todos precisam ganhar dinheiro!) e já
foi regravado por Revelação e Babado Novo/Cláudia Leitte. Do soul
ao pop, da mpb ao rock, passando por axé e pagode, o cara já atacou
em tantas frentes que ficou conhecido como um dos
maiores hitmakers do país. E apesar de tantos estilos, as
músicas são sempre bacanas.
Claro que seu auge foi
nos anos 1980 mesmo, tanto que seu cachê foi de míseros 12 mil
(frente aos 60 mil do Revelação no final de ano, realmente é muito
pouco para bem mais qualidade). Mas quem esteve lá se divertiu à
beça.
Mais uma coisa
ficou marcada em mim: já não sou mais da geração dos jovens. Tenho
25 anos e já pertenço mais à geração da velhinha que se esbaldava
(assim como eu) cantando Talismã do que à da jovem que me viu como
um alienígena. A terceira idade é agora....
Ass: Beto Ferreira
Dica Musical: mais? sério?